governar

March 17, 2009

Dificuldade de governar

(Bertold Brecht)

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar.
Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de
crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente.
Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida.

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica.
Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas
encher-se-iam de ferrugem.

Se governar fosse fácil
Não haveria necessidade de espíritos
tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse um campo de
uma forma para tortas
Não haveria necessidade de
patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
É que há necessidade de alguns tão inteligentes.

Ou será que
Governar só é assim tão difícil
porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

Consciência política - Brecht

March 4, 2008

O ANALFABETO POLÍTICO

O pior analfabeto
É o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala,
Nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo da vida
O preço do feijão, do peixe, da farinha,
Do aluguel, do sapato e do remédio
Dependem das decisões políticas.

O analfabeto político
É tão burro que se orgulha
E estufa o peito dizendo
Que odeia a política.

Não sabe o imbecil que,
da sua ignorância política
Nasce a prostituta, o menor abandonado,
E o pior de todos os bandidos,
Que é o político vigarista,
Pilantra, corrupto e lacaio
Das empresas nacionais e multinacionais.

(Bertold Brecht)

Transformação e revolução - Gandhi

January 28, 2008

"Você precisa ser a mudança que você gostaria de ver no mundo"

(Mahatma Gandhi) 

da Justiça - Brecht

January 21, 2008

O Pão do Povo

(Bertold Brecht)

A justiça é o pão do povo.

Às vezes bastante, às vezes pouca.

Às vezes de gosto bom, às vezes de gosto ruim.

Quando o pão é pouco, há fome.

Quando o pão é ruim, há descontentamento.

Fora com a justiça ruim!

Cozida sem amor, amassada sem saber!

A justiça sem sabor, cuja casca é  cinzenta!

A justiça de ontem, que chega tarde demais!

Quando o pão é bom e bastante

O resto da refeição pode ser perdoado.

Mas não pode haver logo tudo em abundância.

Alimentado do pão da justiça

Pode ser feito o trabalho de que resulta a abundância.

Como é necessário o pão diário

É necesário a justiça diária.

Sim, mesmo várias vezes ao dia.

De manhã, à noite, no trabalho, no prazer.

No trabalho que é prazer.

Nos tempos duros e nos felizes.

O povo necessita do pão diário

Da justiça, bastante e saudável.

Sendo o pão da justiça tão importante

Quem, amiogos, deve prepará-lo?

Quem prepara o outro pão?

Assim como o outro pão

Deve o pão da justiça 

Ser preparado pelo povo.

Bastante, saudável e diário. 

Quando indiferença é ignorância

January 18, 2008

Os indiferentes

(Antonio Gramsci) 

Odeio os indiferentes.
Acredito que viver
Significa tomar partido.
Indiferença é apatia
Parasitismo, covardia,
Não é vida.

Por isso, abomino os indiferentes,
Também porque me provocam
Tédio as suas lamúrias
De eternos inocentes.

Vivo, sou militante.
Por isso, detesto
Quem não toma partido.
Odeio os indiferentes.

dos autores anarquistas - Nettlau

December 8, 2007

"A literatura anarquista não tem uma origem determinada, não sendo a expressão de um sistema inventado e progressivamente elaborado, porém a própria negação dos sistemas. Ela nasceu da necessidade de combater a arbitrariedade em todas as suas formas, as regras e deveres impostos pelos preconceitosou pela força e dar impulso ao livre desenvolvimento da humanidade. Todod o ato que foi realizado e toda a palavra que foi pronunciada com raiva contra essa coação e a favor desta liberdade são obra consciente ou inconsciente da anarquia."

(NETTLAU, Max. in: Bibliographie de l’Anarchie, 1987)

da Educação Libertária - Codello

December 4, 2007

"A República deve combater paralelamente dois adversários, o passado e o futuro. Para fazer isso ela se utiliza de um catecismo republicano, isto é, de um conjunto de valores veiculados pelo ensino ministrado nas escolas estaduais: amor à patria e respeito às leis republicanas que são inseridos no quadro da educação cívica. A mesma moral constitui a base sobre a qual se formam os futuros professores, de modo que o cerco se fecha dentro de uma lógica de continuidade do Estado. Os professores da República são designados a transmitir às crianças os valores de patritotismo, do trabalho, da obediência, da fraternidade, do respeito pelas leis e instituições republicanas. Segundo Élisée Reclus, é indispensável opor-se, em nome da verdadeira liberdade e autonomia, tanto às escolas estatais - onde se aprende a "educação cívica", ou seja, o servilismo e a submissão em relação ao Estado - quanto àquelas onde se ensina a obedecer a vontade da Igreja. Catequizada por todos os lados, a criança deve, aos seus olhos, tornar-se objeto de uma atenção totalmente particular. A sua libertação deve, desse modo, constituir uma prioridade para fundar uma sociedade de homens livres."

       (CODELLO, Francesco. in: "A Boa Educação: Experiências libertárias e teorias anarquistas na Europa, de Godwin a Neill") 

da Violência e repressão - Brecht

November 9, 2007

Quem se defende

Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.

A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contém
Ninguém chama de violento.
A tempestade que faz dobrar as betulas
É tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?

Quem se defende porque lhe tiram o ar
Ao lhe apertar a garganta, para este há um parágrafo
Que diz: ele agiu em legítima defesa. Mas
O mesmo parágrafo silencia
Quando vocês se defendem porque lhes tiram o pão.
E no entanto morre quem não come, e quem não come o suficiente
Morre lentamente. Durante os anos todos em que morre
Não lhe é permitido se defender.

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem
sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar.

(Bertold Brecht)

Os que lutam

October 31, 2007

 

"Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis."

(Bertold Brecht)

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