O Concreto 2

October 24, 2007

 

O concreto viaduto

Que dirá o maldito

no meu luto

viaduto de ilusões que

me cercam e me cobrem e

engolem a nação-mundo

que dirá o bastardo do mundo

no esquecido do não dito

quem esquece e não

se apressa em fazer tudo

tudo aquilo que foi dito

de uma boca

dum maldito de não dito

que não lembra o que disse que

foi dito para os outros

que hoje olham o viaduto

sem carro ônibus bicicleta

os cobriu o viaduto

viaduto vida e casa

que de casa não tem nada

os que tem vida no

viaduto de noite cobertos

no viaduto debaixo

do viaduto

da violência fome morte miséria

que a ilusão dos

filhos-bastardos-do-mundo criaram

colocou pros filhos-da-miséria

a ilusão que não existe

violência-fome-morte-miséria

pra além do que conhecem

ou que só existe

pra além do que eles conhecem

miséria que só é minha

miséria que não é minha

miséria que não é de ninguém

mas que é de todo mundo

miséria pra todo (o) mundo.

(Trem Expresso Leste da CPTM, São Paulo, Outubro de 2006)

 

 

O Concreto 1

O concreto Augusto de Campos concreto

Luxo-lixo-luxo

se não tem lixo não tem

luxo não tem lixo

precisa de lixo pra ter luxo

pra ter lixo tem o luxo

pra mais luxo vai mais lixo vai

mais lixo pra mais luxo que

só cresce quando o lixo cresce

mais luxo mais lixo mais

luxo do lixo que

vem dos que não tem luxo

os que tem mandam mais lixo

pra miséria do lixo do

mundo gente-lixo-luxo-lixo

para o luxo-gente-lixo.

(Trem Expresso Leste da CPTM, São Paulo, Outubro de 2006)

Get free blog up and running in minutes with Blogsome
Theme designed by Viewfinder Design