… E medindo o tempo… e agindo… em incertezas

October 21, 2007

Quem tem certeza de que existe o deus que é homem, ou é mulher, ou que são dois, ou dezenas, ou um só, ou milhares?

Que certeza você tem de que por aqui ainda vão se passar milhões de anos, ou centenas, ou que esse é o último ano de toda a existência em absoluto?

O poeta Horácio era mesmo um maluco, ah se era! Imagina, pra quê? pra quê correr contra o tempo, como se tivesse um machado acima da cabeça, que pudesse te dar fim a qualquer momento? Tem que ser muito maluco pra pensar assim… mas ser poeta não é ser um pensador maluco?

Que certeza você tem do amanhã?

Que certeza você tinha ontem sobre o seu hoje?

O que te garante que o seu hoje tem um amanhã?

O hoje pode ser o seu ontem. E o seu amanhã pode ser hoje! O quê te garante a verdade?

Você diz que tem certeza que um dia tudo vai melhorar.

Você, ah é! você diz que com certeza vai ter jeito na semana que vem, no mês que vem, no ano que vem talvez… A única certeza pra mim, pra você, pra todos, é a morte!

O quê você fez como o seu ontem?

O que você está fazendo com o seu hoje?

Você tem grandes planos para o futuro?

O quê te garante quando vai acabar o quê ainda não acabou? Quem pode dizer o tempo do fim, ou o fim do tempo?

O seu amanhã é hoje, porque pra você pode não ter amanhã.

O seu hoje é ontem, porque você ainda não se mexeu.

Por que você está aí sentado? Está ganhando o quê parado? O quê você ganha esperando?

Por que você não sai do seu cantinho confortável pra fazer alguma coisa?

Enquanto você fica parado esperando o futuro chegar, o futuro chegou e já se desfez! Enquanto você ficou estacionado o tempo te ultrapassou e o mundo correu e te atropelou!

Aproveita o aqui e o agora, deixa o futuro pro sonhador que não vê o tempo passando e que acha que o melhor vai chegar no amanhã que não se sabe quando vai ser!

Não espere uma outra pessoa o que você podia, bem que podia fazer hoje!

Porque tudo nasce para a morte; o que vive parado, aquele que agora vive parado já está morto, e o que viveu parado morreu sem existir!

(Trem Expresso Leste da CPTM, São Paulo, Novembro de 2006)

do Direito e Liberdade de Expressão e Comunicação

Discussão X Contestação

A questão da liberdade de opinião e expressão é uma coisa muito séria de se discutir, sem dúvida, e por isso mesmo a banalização da questão acaba tornando a discussão e sua temática desmerecidas. É importante ressaltar o assunto em função da discussão, já que discutir/debater é possível pra qualquer pessoa com vontade de falar, com vontade de se manifestar, mas uma discussão precisa sempre vir a partir de uma reflexão individual colocada no conjunto, sobre o mesmo tópico, mas sem esquecer que contestar precisa de raciocínio e argumento, e não simplesmente do puro impulso de se opor e discordar - afinal, discordar é uma coisa fácil, assim como é mais facil dizer "não" do que expressar um posicionamento completo a uma pergunta que é feita.

Obviamente, opiniões unânimes não são discutidas: a questão é levantada, as pessoas ouvem e ao final apenas batem palmas. Como nada é uniforme, as opiniões das pessoas não são uniformes, as experiências vividas não são uniformes, os sentimentos não são uniformes e as personalidades não são uniformes - ainda bem que é assim!!!

E se a questão é a liberdade de expressão em si, a divergência completa entre os que discutem dão voltas e mais voltas sem chegar a lugar nenhum, e tendo como resultado nada além de irritação das partes envolvidas e muita dor de cabeça nos momentos seguintes.

Sempre lembrando que numa ditadura de opinião as vozes divergentes são caladas como um todo - do mesmo jeito que a ditadura militar torturou e matou ou exilou os indivíduos considerados como "revoltosos subversivos" que "representavam um perigo à sociedade" - e fora dela a voz fica mesmo que algumas manifestações se percam - como um caderno de recados que teve alguma(s) folha arrancada, ou uma lousa cheia de dizeres que teve alguns deles apagados por um ilustre desconhecido. Quanto ao que acontece nos "meios padrão" de comunicação do tipo tv e jornais, em relação à massa comunicativa da internet, isso é algo que ainda precisa de longas pesquisas da própria sociedade.

Alguns links relacionados ao assunto, sem relação direta com orgãos de governo:

Observatório do direito à comunicação

http://www.direitoacomunicacao.org.br

ONGs, MOVIMENTOS E ASSOCIAÇÕES LIGADAS AO CAMPO DA COMUNICAÇÃO

Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicação Social
http://www.intervozes.org.br
FNDC - Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação

http://www.fndc.org.br
Indecs - Instituto de Estudos e Projetos em Comunicação e Cultura
http://www.indecs.org.br
ABCCOM- Associação Brasileira de Canais Comunitários
http://www.abccom.com.br/index.htm
CRIS-Brasil - Articulação Nacional pelo Direito à Comunicação
http://www.crisbrasil.org.br/apc-aa/cris/index.shtml
Projeto Cala-boca já morreu
http://www.cala-bocajamorreu.org
Centro de Mídia Independente
http://brasil.indymedia.org/
Comunicação, Cultura e Política
http://www.comcult.blogger.com.br/
Campanha Ética na TV - Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania
http://www.eticanatv.org.br
Portal de la Comunicación (Espanha)
http://www.portalcomunicacion.com/


ONGs, MOVIMENTOS E ASSOCIAÇÕES

ABONG - Associação Brasileira de ONGs

http://www.abong.org.br
Centro de Cultura Luis Freire
http://www.cclf.org.br
Fórum Nacional de Participação Popular
http://www.participacaopopular.org.br


OUTROS OBSERVATÓRIOS

Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/
Observatório da Comunicação - OBERCOM (Portugal)
http://www.obercom.pt/


IMPRENSA ESPECIALIZADA

TelaViva News
http://www.telaviva.com.br
Cultura e Mercado
http://www.culturaemercado.com.br
ComCiência
http://www.comciencia.br/comciencia/
Telesíntese
http://www.telesintese.com.br
Agência Carta Maior
http://www.cartamaior.com.br
Teletime
http://www.teletime.com.br
Observatório da Imprensa
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/

Informativo Sete Pontos
http://www.comunicacao.pro.br/setepontos/

 

***

(Stoa-USP, São Paulo, Abril de 2007) 

O valor do anonimato - e a pseudonímia

Trabalhar no anonimato é um dos grandes privilégios a se ter na vida… Quase ninguém te vê fazer, poucos sabem que você faz, todo mundo vê os resultados e a informação é repassada e compartilhada pelas pessoas sem barreiras nem restrições.

Nos momentos em que o anonimato não é permitido, lançar mão da pseudonímia é um pequenino esforço a mais para que esse ciclo de transmissão de informação não seja quebrado. A partir daí, o pseudônimo já não serve como uma imagem de esconderijo, mas sim como uma ferramenta utilitária.

Sendo uma ferramenta, independente do fato do pseudônimo ser efêmero ou se tornar forte, resistindo ou não ao tempo, o referencial permanece, e se mantêm latente; assim, o ciclo se manteve e se perpetuou, e a ferramenta foi útil em cumprir o seu papel.

(CCE-USP, Cidade Universitária - São Paulo, Setembro de 2007)

Calor, calor, calor…

Por que quero me mudar pra um lugar mais frio?! 

Porque quero caminhar
sem tantas proteções contra o sol
sem medo de cansaço e desidratação
todo os dias.
Quero dormir bem todas as noites
e não precisar esperar uma grande frente fria
pra dormir de ventilador desligado ou trocar
o lençol pelo edredom ou a camisola
pelo pijama.
Quero poder ver neve quando me der vontade
ou ao menos conhecê-la.
Quero ter dor de cabeça ou mal estar apenas por motivos que não sejam o calor.
Quero ter por perto quem prefira a água fria de um rio cachoeira lago
em lugar de ir à praia e mergulhar na água morna e por vezes quente
do mar mesmo
quando o clima é quente
o sol é escaldante
o calor é delirante
e tudo fica estafante
E eu só posso tentar fugir
ficando num quarto com um ventilador no máximo me enchendo de água e suco
com uma bolsa de gelo na cabeça
enquanto os outros estão
na praia.
Queria ao menos poder fugir de passar calor sem precisar pra isso
de uma fortuna…

(Poá - SP, Agosto de 2006)

Singela homenagem à Poesia

Patrão Padrão

 

       I

 

Língua de padrão

poesia de padrão

pensamento de padrão

patronus – patrão – padrão

já cansei de poema patrão

construção de texto patrão no

papel virtual da tela

de um computador que passa

pr’o papel palpável que eu pego

do patrão da norma e regra

dita o texto a linguagem o

formato de amostra intelectual que

comanda uma academia.

Não sei se dá pra pôr

no poema o acadêmico

formado de padrão no

patrão de fonte monoespaçada

quebra de linha 1,5

margem 3x3x3x3

do texto morto de academia

que pronto vai pras gavetas

e não sai da boca de ninguém o texto

que não foi engavetado na cabeça

das pessoas que não conhecem

a gaveta

do arquivo.

 

       II

 

Colocar o perfeito patrão

na norma de um poema que

não é meio não é matéria

não é uma amostra grátis do

conhecimento da sociedade-humanidade

que de velha precisa

ter já uma herdeira

que não mate a mãe ela mesma

que ganhe o espaço da mãe

que permita chegar nova herdeira

de todo um mundo que não cabe

em poemas

que de tudo que existe

é amostra do pensamento.

 

       III

 

Tira o perfeito da gaveta

da ilusão da cabeça

que não sabe o que é perfeito

não sabe

ser perfeita

não conhece perfeição

que não existe.

De perfeito morreu

o socialismo de utopia

o milagre Americano

o metro de Homero

o Latim de Júlio César

de perfeito morreu Deus

e do que morre sobra

espectro do que poderia

ser talvez em ilusão

mas não é nem foi perfeito.

 

(Biblioteca Florestan Fernandes, FFLCH-USP, Fevereiro de 2007)

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