CARTA AOS ESTUDANTES
Nós, funcionários da USP, saudamos todos os calouros que chegam à Universidade de São Paulo, desejando que permaneçam até o final do curso que escolheram e para o qual foram aprovados.
Saudamos também os veteranos, dos quais nos tornamos companheiros de luta em defesa da Universidade pública, gratuita, autônoma, de qualidade e a serviço da maioria da população: trabalhadores da cidade e do campo.
Lembramos que teremos que continuar a lutar contra a ameaça, cada vez maior, de quebra da autonomia; de sucateamento por falta de verbas; arrocho salarial, que leva à evasão de professores e funcionários; queda da qualidade do ensino, assim como das políticas de permanência estudantil; terceirização do trabalho e ameaça de privatização da Universidade pública.
A luta pela democratização da Universidade, conforme nós estudantes, professores e funcionários aprovamos durante a memorável greve de 2007, com a ocupação da reitoria, deverá ser uma de nossas principais metas este ano e passa pela realização de um Congresso Estatuinte, com a participação dos 3 segmentos para discutir, elaborar e fazer vigorar um novo Estatuto para a USP, superando definitivamente o atual, que sem dúvida é o mais retrógrado e autoritário dentre as Universidades públicas brasileiras.
A vitória, muito importante ainda que parcial, contra a tentativa do governo Serra de intervir na USP, Unesp e Unicamp, só foi possível diante da unificação e da resistência férrea dos estudantes e funcionários da USP na greve e nas ocupações, não apenas nas Universidades estaduais paulistas mas em todo o país, no ano passado.
A força do nosso movimento levou também o Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas) a assinar um acordo com os funcionários, professores e estudantes, que envolvia a questão salarial com o compromisso de concessão de R$ 200,00 fixo como reajuste, para todos os funcionários e professores das 3 Universidades, desde que a dotação orçamentária das universidades vinculada à arrecadação do ICMS alcançasse determinado patamar, o que ocorreu. Os reitores descumpriram esse compromisso.
Também foram descumpridos acordos de não punição aos estudantes e funcionários que participaram das ocupações e da greve; vários processos administrativos e inquéritos policiais estão em andamento na uSP, Unesp e Unicamp contra estudantes e funcionários, sendo que Unesp 3 estudantes já foram punidos com 6 meses de suspensão. Na USP, 21 estudantes estão sendo intimados para depor numa Comissão de Sindicância sobre a ocupação e funcionários respondem a inquéritos e processos.
O atendimento das reivindicações dos estudantes referentes à moradia e outras, também prometidas pela reitoria, vão depender da nossa mobilização conjunta, assim como o aumento da dotação orçamentária das Universidades Estaduais Paulistas e a definição de recursos para políticas de permnência estudantil e a realização do Congresso Estatuinte na USP.
Por isso, nós funcionários, estudantes e professores teremos que discutir essa mobilização conjunta, pois a história tem nos ensinado que governantes e a burocracia universitária só não alcançaram seus propósitos de sucatear para justificar a privatização da universidade pública graças à união entre trabalhadores e estudantes.
Mais uma vez desejamos que vocês estudantes sejam bem-vindos, pois são a principal razão da existência da universidade.
São Paulo, 22 de fevereiro de 2008.
Sindicato dos Funcionários da USP